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Artigo – A luta da vida de Drew McIntyre no Clash at the Castle

Nesse sábado acontece o Clash at the Castle com Drew McIntyre e Roman Reigns na luta principal, o evento é primeiro grande da WWE em um estádio europeu em mais de 30 anos, desde o Summerslam 1992 onde British Bulldog conquistaria o Intercontinental Championship de Bret Hart diante de 80,355 pessoas em pleno templo do futebol inglês, o Wembley Stadium em Londres, no Reino Unido. O confronto dos dois era um marco histórico em um momento onde a luta livre nas terras da rainha eram tão antigas quanto as em solo americano, mas não haviam se desenvolvido o suficiente para possuir uma expressão local de peso, apesar de nomes como o próprio “British Bulldog” Davey Boy Smith, Dynamite Kid, Mark “Rollerball” Rocco e Chris Adams chamando atenção na década anterior (mas com sua maioria indo ao Japão, já que a World of Sport não decolava de fato).

Depois de 30 anos, a WWE coloca um estádio à disposição para um novo marco na relação entre a empresa e o Reino Unido: É no Principality Stadium, em Cardiff – Pais de Gales, que o escocês Drew McIntyre entrará no ringue diante de 65 mil pessoas para enfrentar o maior desafio de sua vida: Representar toda aquela torcida local (que é tão local quanto ele no sentido de Grã-Bretanha) diante de Roman Reigns, que curiosamente nessa semana completou 2 anos como campeão mundial da WWE, sendo o primeiro lutador a conquistar tal número desde Hulk Hogan em 1984. Toda essa ideia de termos um Drew McIntyre lutando em “casa”, sendo combativo a Roman Reigns nos shows semanais, e ainda com a possibilidade de trazer de volta sua antiga musica de entrada (Broken Dreams) faz com que a WWE encontre a janela perfeita para tirar os títulos mundiais do Tribal Chief.

Há muito se discute o quão “supervalorizado” ficou o reinado de Roman Reigns: Desde a vitória dele sobre Edge e Daniel Bryan na Wrestlemania 37 que nenhum dos adversários do Tribal Chief apresentavam construção suficiente a ponto de torna-los credíveis para tirar seu título mundial: John Cena não ganharia o título sendo part-timer; a história com Finn Balor fraquíssima; a luta de unificação com Brock Lesnar sempre demonstrava ser um meio de “preencher” o cartão de visitas de Reigns e defesas contra nomes como Matt Riddle e Goldberg nem valem a consideração. Agora com Drew McIntyre parece ser diferente por todo esse clima no entorno da realização do evento especial, além de um anseio dos fãs em ver McIntyre sendo recompensado de forma justa.

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Jinder Mahal, Heath Slater e Drew McIntyre – A stable de jobbers da WWE

A história de Drew McIntyre é bem curiosa: Quando ele estreia em 2009 como “Chosen One” ele rapidamente cria uma antipatia com o publico, talvez pela forma rápida como Drew se tornava Intercontinental Champion e o fator “Vince McMahon” ao chamar um lutador ainda cru em persona e habilidades como “futuro campeão mundial”. Após esse push inicial Drew parecia ter sido descartado pela direção criativa e acabaria sendo mais um midcarder, a 3 Man Band com Jinder Mahal e Heath Slater era o sepultamento das chances de McIntyre de ser destaque pela empresa naquele momento, e em 2014 ele era demitido.

McIntyre então retorna para o Reino Unido que agora, diferentemente do cenário que a gente relatou na época do Summerslam 1992, tinha todo um universo mais desenvolvido de lutadores locais: A Insane Championship Wrestling. Um ótimo trabalho de McIntyre, que agora lutava sob seu nome verdadeiro (Drew Galloway) garantiu ao lutador capacidade de voltar aos EUA com muito mais espaço. Na TNA então é onde ele se reinventa enquanto lutador e personagem: Com um personagem que é a base para o que nós vemos de Drew nos dias atuais, Drew se tornava TNA World Champion e rivalizava com nomes como Bobby Lashley. O excelente trabalho dos dois na TNA (que já estava em sua fase decadente, e mesmo assim eles sobressairiam no meio do produto) garante a exposição que McIntyre precisava para retornar a WWE completamente diferente de como saiu.

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Drew Galloway como TNA World Heavyweight Champion en 2016

Muito mais habilidoso nos ringues e com um personagem que trazia uma profundidade muito maior em seus momentos ao microfone, o escocês retornava no NXT em 2017 mostrando que seu desenvolvimento fora da WWE já havia sido suficiente para ser valorizado dentro da empresa novamente, voltando ao roster principal da empresa um ano depois. Nos próximos dois anos então eram trabalhados na consolidação de McIntyre aos olhos do publico médio da WWE, que agora via um escocês barbudo de personalidade forte que mal lembrava aquele que um dia fazia “air guitar” enquanto era parte de uma stable de jobbers.

Vem então a chance de Drew McIntyre mostrar ao mundo o que foi que Vince viu quando disse, lá em 2009, que ele seria um futuro campeão mundial. Uma excelente vitória no Royal Rumble 2020 batendo Roman Reigns no final do combate, daria a McIntyre a chance de se posicionar como um dos destaques da empresa em arenas lotadas. Porém a oportunidade de ser “O Rosto do Raw” vem na mesma época que a pandemia do Coronavirus, e ao invés de sentir o calor do público gritando seu nome enquanto ele vencia Brock Lesnar em plena Wrestlemania, apenas telas de computador do Thunderdome e ginásios vazios.

Seus primeiros 202 dias como campeão mundial da WWE aconteceram diante de absolutamente ninguém na arena. Seu segundo reinado de 96 dias? Ouvindo sons de pessoas sendo filmadas de casa. Ele perde o título no ultimo evento especial da empresa antes do retorno do público, o que torna ainda mais trágico toda essa situação. Como é se reerguer da forma como Drew McIntyre se reergueu na carreira, e na hora que ele alcançaria a glória eterna, apenas o som do silêncio (e antes fosse o de Simon e Garfunkel, e não o do Thunderdome).

Drew McIntyre conquista o WWE Championship contra Brock Lesnar na Wrestlemania 37

O “fator casa” de McIntyre agora é muito mais diferente do que qualquer outro lutador que estivesse na mesma situação que ele, diferente até do que foi Edge em Toronto ou do que seria Sheamus se ele estivesse no lugar: McIntyre precisa fazer com que o grito de comemoração de sua conquista de título mundial saia da boca daqueles que vibram por ele. E ele precisa gritar de volta de cima do corner diante de 65 mil pessoas enquanto levanta esse cinturão. É hora de transformar os sonhos quebrados em realidade.

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