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Artigo: FTR e a Era de Ouro da luta livre

Quase todas as pessoas que se apaixonam pelo esporte conhecido como luta livre (ou telecatch, ou pro-wrestling, ou puroresu, ou lucha libre…) tem um amor a primeira vista pela arte. É muito difícil (não impossível) que uma pessoa que sofra uma aversão inicial ao assistir o esporte de entretenimento dê uma segunda chance. Aqueles que amam podem até deixar esse amor esfriar depois de um tempo mas sempre vão guardar as boas lembranças de quando começaram a assistir. Até pelas coisas ruins.

Aqui no Brasil os dois grandes booms de popularidade vieram em 2008 com a WWE no SBT e em 2011 com o retorno dos shows, agora no Esporte Interativo. Quem começou a acompanhar nessas épocas inclusive guarda recordações muito fortes de coisas que as vezes nem eram tão boas assim, mas que se tornaram mais emocionais com o passar os anos: Em 2011 um Cena vs. Orton era saturadissimo, mas rever isso hoje seria incrível. Em 2008 nomes como Santino Marella, a dupla entre Jesse e Festus e até o Jimmy Wang Yang poderiam ser forçados demais, mas rever o que eles fizeram hoje teria toda uma carga nostálgica especial acompanhando. Esses booms vieram graças a abertura de de oportunidades de transmissão dos shows aqui no Brasil (E TV aberta faz uma diferença absurda). Lá nos EUA, lugar que transformou a luta livre naquilo que nós conhecemos hoje, a popularidade explodiu por outros motivos, e entre eles a explosão de talentos.

Obviamente que a visão macro de Vince McMahon para além do que a NWA fazia (E se você quer saber como era essa época, escute nosso podcast sobre) em transformar eventos como a Wrestlemania realizações grandiosas, mas a década de 80 carrega consigo uma das safras mais importantes no que se diz respeito a talento dentro do ringue, a base da chamada “Golden Era of Professional Wrestling”: Ric Flair e a Four Horsemen, Bret Hart e Owen Hart com a Hart Foundation, Randy Savage, Ricky Steamboat, Mr. Perfect, Shawn Michaels, Razor Ramon (em começo de carreira), Steiner Brothers, Road Warriors… Talentos absolutos dentro do ringue, alinhados a nomes como Hulk Hogan, Andre the Giant, Rowdy Piper, que tinham o carisma e o personagem perfeito para a época. Esses nomes foram o ponto de partida de muitos dos fãs de luta livre que hoje tem seus 40 anos e enchem a boca pra falar que “na época deles que era bom assistir wrestling”.

Bret Hart é levantado por Lex Luger e Razor Ramon e é celebrado por lutadores como Randy Savage ao fim da Wrestlemania X.

E talvez isso seja mentira pra nós hoje em dia, que vemos um produto absurdamente maior, mais lucrativo e mais saudável tanto para o público quanto para os próprios lutadores. Mas pra eles não. Imagina uma pessoa que nasceu em 1984, e aos 10 anos de idade estava de frente para a TV vendo Owen e Bret Hart realizando uma das melhores lutas de abertura de um evento na Wrestlemania X, como você vai dizer pra ele que hoje é tudo muito melhor, simplesmente não dá. É como dizer para seu avô que viu o Santos de Pelé ou o Botafogo do Garrincha e falar que Messi e Cristiano Ronaldo são muito melhores. Simplesmente não dá.

Imagina então esse garoto que viu Bret vs. Owen e tem a capacidade de realizar lutas tão boas quanto a dos Harts quase 30 anos depois? Dax Harwood e Cash Wheeler são dois dos que se encaixam nessa categoria, e desde que se juntaram trabalham para ser exatamente aquilo que eles viram pela TV na infância. Desde a criação da The Revival na WWE, agora como FTR na AEW, o propósito dos atuais campeões de duplas da Ring of Honor é prestar uma homenagem a tudo aquilo que eles viram pela TV e encaixar isso na luta livre atual com um brilhantismo. A fluidez do “chain wrestling” que hoje em dia dá lugar para os golpes mais destacados para a TV, o “catch as catch” que hoje dá lugar para os chutes e os saltos. A FTR é um conceito de 30 anos atrás que se ajeita na luta livre com um brilhantismo impressionante e talvez as lutas entre eles e os Young Bucks são exatamente o encontro entre esses dois paradigmas.

Ver então Dax Harwood e Cash Wheeler em lados opostos do ringue pela primeira (e segundo a própria FTR, unica) vez no ultimo Dynamite, lutando em um torneio que carrega o nome de Owen Hart e podendo mostrar como seria uma luta da Golden Era em um tempo como o atual para a luta livre (infelizmente com duração menor que o merecido para um combate desse pela quantidade de lutas do Dynamite) é de se encantar. Os dois são provavelmente a melhor dupla da atualidade na luta livre (E se você ver o que eles fizeram contra os Briscoes no Supercard of Honor no começo do mês você tem certeza absoluta disso). Hoje nós temos uma facilidade para ver clássicos da Golden Era como Bret Hart vs. Owen Hart na Wrestlemania X com um banco de dados como o WWE Network, mas também temos sorte de ver o que a FTR tem feito todas as vezes que entra no ringue nos dias atuais.

Assistam FTR contra Bricoes no Supercard of Honor e qualquer um dos encontros deles contra os Young Bucks. Seja no Full Gear, seja num Dynamite como o de 6 de Abril, é o encontro de gerações contados de forma perfeita. Por favor.

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