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As relações entre a NFL, o Super Bowl e a WWE

Saiba o quão forte a união do Futebol Americano é com o Pro-Wrestling

A prática esportiva tem se tornado o centro das atenções da indústria do entretenimento pelo mundo. Finais de campeonato dominam com folga todos os recordes de audiência global e seus eventos tem se tornado palco para grandes shows. O pro-wrestling foi um dos pioneiros na transformação de um evento esportivo em um grande show, com a realização da Wrestlemania em 1985, sendo o maior evento transmitido via PPV na história na época. Sua mistura da prática da luta livre com personalidades da cultura pop, como Cindy Lauper, Mr. T e Muhammad Ali se tornaram referência na criação de grandes eventos esportivos para o mundo todo. Neste primeiro final de semana de Fevereiro de 2020 acontece um dos maiores cases de sucesso deste formato de entretenimento esportivo da atualidade: O Super Bowl!

Muhammad Ali, Hulk Hogan, Cindy Lauper, Liberace e Wendy Richter na divulgação da Wrestlemania I. (Foto: Reddit)

A final do campeonato da NFL ano após ano desponta como um dos eventos esportivos mais assistidos pelo mundo, junto com a final da Copa do Mundo de Futebol, UEFA Champions League e as Olimpíadas de Verão. Com o passar dos anos, estes eventos foram adicionando elementos do entretenimento pop no seu contexto assim como Vince McMahon fez lá em 1985: O Halftime Show do Super Bowl por exemplo é um dos principais palcos para apresentação de cantores já consagrados na cultura Pop, e já contou com a presença de nomes como Michael Jackson (o primeiro a se apresentar no evento), Lady Gaga, Prince, Bruce Springsteen, Beyoncé, Katy Perry, U2, Madonna, entre outros.

Essa grandeza adicionada ao Super Bowl na mídia fez com que a realização do principal jogo do ano da NFL seja disputada ferrenhamente entre as cidades americanas, algo que também acontece com a Wrestlemania da WWE. A presença dos eventos traz lucros absurdos ao comércio local, além de aumento no número de turistas e da presença de personalidades em um único local. Em 2019 a cidade de Atlanta que sediou o jogo entre New England Patriots e Los Angeles Rams obteve um impacto econômico de US$440 milhões durante a semana de realização do evento (segundo o The Raider Wire), assim como a cidade de New Jersey, onde a WWE realizou a Wrestlemania 35, que recebeu US$161 milhões de impacto econômico no período graças ao evento (segundo a Stanford Advocate).

Mas a NFL e a WWE não tem só a forma como eles apresentam seus maiores eventos do ano como correlações. A força física necessária presente em ambos os esportes e a grande inserção na cultura americana faz com que ambos se misturem frequentemente. É grande a presença de atletas oriundos do futebol americano que se tornaram bons lutadores no pro-wrestling. Na atualidade podemos citar dois com destaque na empresa de Vince McMahon: O atual vencedor do torneio King of the Ring Baron Corbin já fez parte do Practice Squad do Indianapolis Colts e do Arizona Cardinals antes de ir pra WWE, além de Roman Reigns, oriundo da universidade de Georgia Tech, onde jogou ao lado de Calvin “Megatron” Johnson, um dos maiores wide-receivers da história da NFL. Reigns chegou a treinar pelo Minessota Vikings e Jacksonville Jaguars na NFL em 2007, porém foi diagnosticado com Leucemia na época, o que encurtou sua carreira como jogador da NFL. Ainda jogou por um ano pelo Edmonton Eskimos da CFL (Liga canadense de futebol americano) em 2008 mas logo se aposentou do esporte da bola oval e partiu para a luta livre.

Roman Reigns em ação pelo time de Georgia Tech em 2006, no futebol universitário. (Foto: Mike Zarrilli/Getty Images)

Nomes famosos do Hall of Fame da WWE também tem um passado no futebol americano, como Goldberg que jogou na Universidade de Georgia e foi draftado pelo Los Angeles Rams em 1990, além de ter jogado pelo Atlanta Falcons de 1992 a 1994, na posição de Defensive Tackle. Também teve a carreira encurtada devido lesões antes de migrar para a luta livre. Talvez o superstar mais famoso da WWE, The Rock é um dos nomes mais famosos na Universidade de Miami, tendo conquistado o título nacional do futebol americano universitário em 1991 como Linebacker, jogando ao lado do Hall of Famer da NFL Warren Sapp. Devido a muitas lesões em sua carreira no futebol universitário, The Rock não teve sucesso no futebol americano e escolheu seguir a carreira de seu pai na luta livre.

Temos até mesmo pessoas que estiveram presentes tanto no Super Bowl quanto na Wrestlemania, como é o caso de Marcus Cor Von, que jogou a final do futebol americano como Linebacker pelo Buffalo Bills em 1994 e lutou na Wrestlemania 23, fazendo parte da The New Breed, que foi derrotada pelos ECW Originals.

Se não parece ser raro ver ex-jogadores da NFL virando lutadores na WWE, em contrapartida nós temos apenas um caso no sentido contrário: Brock Lesnar! O atual WWE Champion resolveu fazer uma pausa em sua carreira na empresa de Vince McMahon em 2004 e tentou ingressar na NFL, jogando pelo Minnesota Vikings, time pelo qual ele torce. Sem a experiência de base do futebol americano universitário, Brock Lesnar não se adaptou ao estilo de jogo, e participou apenas da pré-temporada pelo time.

Brock Lesnar durante um jogo de pré-temporada pelo Minessota Vikings. (Foto: NFL)

Existem casos ainda maiores, onde grandes nomes da NFL fazem uma transição para o Pro-Wrestling, ou fazem uma pequena aparição, mas que afeta, de alguma forma, uma luta ou show. Lawrence Taylor ex-jogador do New York Giants considerado por muitos o melhor defensor da história da NFL, competiu no main event da Wrestlemania 11, enfrentou Bam Bam Bigelow e venceu o combate. Até hoje o único nome a vencer um Super Bowl e vencer um main event da Wrestlemania.

Na Wrestlemania 2, em 1986 a WWE (WWF na época) realizou um combate chamado “WWF vs. NFL Battle Royal”, vencida por Andre The Giant e que contou com a presença de lutadores da empresa e diversos jogadores da NFL da época, como Jimbo Covert (campeão do Super Bowl XX e 2x Pro-Bowl), Ernie Holmes (2x campeão do Super Bowl), Harvey Martin (Campeão e MVP do Super Bowl XII, 4x Pro-Bowl), Russ Francis (Campeão do Super Bowl XIX, 3x Pro-Bowl), Bill Fralic (2x All-Pro, 4x Pro-Bowl) e William Perry (Campeão do Super Bowl XX). A luta completa você confere aqui.

Além dele podemos citar Reggie White, um dos maiores Defensive Ends da história da NFL que jogou pelo Philadelphia Eagles e Green Bay Packers, esteve no ringside de Lawrence Taylor na Wrestlemania 11 e em 1997 lutou contra Steve “Mongo” McMichael na WCW. McMichael também estaria ao lado de Kevin Greene, eleito o Jogador Defensivo do Ano em 1996 quando jogava pelo Carolina Panthers, e que atuou na WCW ao mesmo tempo que jogava na NFL entre 1996 a 1998, sendo obrigado a se aposentar dos ringues após os times exigirem em seu contrato que Greene não praticasse mais o pro-wrestling.

Talvez o maior defensor da história da NFL, Lawrence Taylor em combate contra Bam Bam Bigelow na Wrestlemania XI. (Foto: WWE.com)

A ideia de seguir carreira de lutador de pro-wrestling enquanto ainda é um jogador da NFL também tem seus casos. Um dos nomes de maior destaque é o de Adam “Pacman” Jones, o All-Pro Cornerback que jogou por muito tempo no Cincinatti Bengals já conquistou o título de duplas da TNA em 2007 junto de R-Truth, já que em 2007 Adam Jones estaria suspenso da liga por envolvimento em um tiroteio em um cassino em Las Vegas.

Outro caso que misturam essa relação entre a NFL e o pro-wrestling recentemente é a aparição de Rob Gronkowski na Wrestlemania 35, invadindo o ringue durante a Andre the Giant Memorial Battle Royal para aplicar um tackle em Jinder Mahal e ajudar seu amigo de infância Mojo Rawley (Que também esteve na NFL, onde foi Practice Squad do Green Bay Packers e do Arizona Cardinals) a vencer o combate.

No Super Bowl deste ano fica o destaque para o All-Pro Tight End do San Francisco 49ers George Kittle e sua paixão pelo pro-wrestling. Kittle, que costuma fazer referências a lutadores históricos da WWE durante os jogos (Como The Rock e Steve Austin, seus favoritos) comemora seus touchdowns fazendo o “Ciero Miedo”, movimento que Pentagón Jr., lutador da AEW faz em seus combates, após, segundo ele, ter visto Pentagón lutar por 6 vezes durante a “Wrestlemania Weekend” de 2018. Também em 2018, após uma vitória em casa do 49ers contra o Seattle Seahawks, Kittle (Que usava uma camiseta com o rosto de Steve Austin) saiu correndo da entrevista coletiva pós-jogo pois queria chegar logo ao TLC: Tables, Ladders and Chairs PPV, que a WWE realizava em San Jose, próximo a San Francisco.

A parceria não-oficial entre WWE e NFL é histórica, e os momentos em que essa parceria se mistura traz uma sensação muito agradável para aqueles que são fãs de ambos os esportes. Que o Super Bowl deste domingo seja mais um destes momentos que fazem o esporte um dos principais meios de entretenimento mundial.

(Postagem em conjunto com Igor Cometti.)

Assista aos jogos da NFL na WatchESPN.

Assista aos shows da WWE na WWE Network.

3 Comentários

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  1. “Já que em 2007 Adam Jones estaria suspenso da liga por envolvimento em um tiroteio em um cassino em Las Vegas.”

    Eu amo o conceito de se envolver em um tiroteio e ser recompensado com um titulo. TNA é uma coisa única.

  2. Foi um ótimo artigo sem dúvidas, através dele conheci muito, principalmente do passado tanto da WWE, como da NFL, realmente há muitos elementos de uma liga influenciando na outra, mais um exemplo recente é que em boa parte das contratações para o Performance Center a WWE traz membros que já jogaram futebol americano e a NFL ainda se aproveita de talentos do pro-wrestling, mesmo que para fazer promoção, como ocorreu no último Superbowl ontem, onde Dwayne The Rock Johnson fez a introdução tanto de San Francisco 49ers como do Kansas City Chiefs, que muito mais disso ocorra no futuro!!

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