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Equipe FILL se pronuncia sobre acusações de assédio sexual

No dia de hoje a luta-livre nacional recebeu a primeira acusação pública sobre assédio sexual. Chegou até nós, mediante uma edição do ‘Powerbomb Cast’, da Powerbomb Brasil, acusações sobre assédio sexual e psicológico dentro da equipe FILL, do Rio de Janeiro, ocasionando o desligamento de vários lutadores, por conta da decisão de um grupo de denunciar os assédios que, segundo relatos feitos no podcast, não eram inéditos e já eram citados por outras mulheres da equipe e as lideranças do grupo estavam cientes do fato e se mantiveram inertes diante da situação, não estabelecendo os mínimos protocolos diante de casos similares e não exercendo a devida punição ao assediador.

Após isso, Tytan, fundador da FILL soltou uma nota pessoal em seu Facebook, onde diz:

Esclareço alguns pontos levantados num podcast , sobre a Equipe FILL e os últimos acontecimentos no grupo do Whatsapp da equipe, cerca de duas semanas atrás. Não tenho motivos para esconder nada, portanto esclareço os principais pontos:Os lutadores Bob Castro, Gabriel Nogueira, Beaux Malone com sua manager Luna, além de Raven foram retirados da equipe em função do seu desrespeito a mim enquanto líder da equipe. Não agiram condizente com o respeito que sempre os tratei. Não apenas desmereceram minhas palavras, como continuaram a tripudiar sobre minha pessoa e ações. Foram 7 expulsões diretas e 2 desistências no total.

Contorceram as minhas palavras escritas no aplicativo, como recusa em fazer o que foi solicitado. O tal posicionamento que pediram veio em forma exatamente do que foi reivindicado, um manual de conduta em construção com os membros da equipe. Mesmo após a exclusão do lutador pego em flagrante, queriam uma exposição do fato, transformar a causa em uma bandeira e não o faria até compreender tudo o que estivesse acontecendo. Até ouvir ambos os lados, compreender porque alguém de minha confiança fez o que fez, como algo tão antigo veio à tona somente agora e tentar resolver o problema de maneira justa. Eu como líder preciso pensar em todas as partes, desde quem está certo a quem está errado e principalmente como isso nos afeta internamente. Se me deixasse levar pelas emoções, certamente teríamos maiores problemas do que apenas um lado da história sendo exposto. Preciso ter discernimento antes de agir e foi o que busquei, mas interpretaram minha linha de raciocínio como uma ação temerária. Ao invés de conversarem, logo vieram os ataques desrespeitosos em busca de uma ação enérgica.

Sempre preguei o respeito entre nós. Mesmo na ausência de afinidade, que houvesse o respeito pelo colega de equipe. Por 12 anos convivemos de maneira harmoniosa enquanto equipe. Foi exatamente a primeira regra que reforcei no protocolo pedido. Se você respeita o seu colega como o seu próximo, não o fará ou agirá mal com ele. Desde o início da equipe sempre reforcei isso. Até porque, se você se coloca no lugar do outro, todo o modelo comportamental será seguido. Não me neguei a criação do protocolo, apenas via que esta interpretação cobria toda e qualquer recomendação posterior. Talvez seja ingenuidade de minha parte, mas ainda acredito nisso e é o que tento passar.

O gif referido no podcast, foi escondido de mim por meses. Diversos membros sabiam do acontecido, mas preferiram não me mostrar, para ser utilizado num momento em que imaginassem como propício. Não imagino o motivo, mas não terem me mostrado ou levado a prova até a vítima e ela me mostrar, era algo que queria compreender e não obtive resposta das pessoas que assim sabiam.

Mas tudo o que aconteceu, desde os ataques diretos não mencionados, à postura extremamente agressiva com quem discordava do grupo furioso, sem espaço para o diálogo, provavelmente foi fruto da minha ausência junto a equipe. Tínhamos um grande número de “bolsistas” e pelas contas não baterem para aluguel ou manutenção do ringue, coloquei alguém que confiava no meu lugar enquanto levantava os valores restantes em muitos meses e isso tudo aconteceu. Nada teria ocorrido, inclusive esta discussão à distância, se eu estivesse mais próximos deles e da maneira como tento passar a visão de um futuro negócio. É exatamente por isso que digo que dificilmente colocarei alguém para me substituir e reforço o compromisso de tudo o que foi afirmado por mim e pela equipe até este momento. A FILL é uma equipe que respeita não só as mulheres, mas todas as pessoas. A equipe não existe sem seus membros e jamais ele(a) virá após qualquer interesse que não o bem estar e a satisfação de quem faz o show por amor.

Pelos meus valores, pela minha visão ingênua ou não de compreensão, peço desculpas pelas coisas que poderiam ter sido melhores. Não guardo rancor de ninguém.

Esta é minha declaração de maneira oficial.

Já pelo perfil oficial da Equipe FILL, Tytan também falou sobre as acusações:

Boa tarde pessoal, Tytan falando aqui, em nome da equipe FILL. Mediante apresentação midiática do que aconteceu com a equipe venho até vocês levantar pontos do ocorrido e minha posição quanto líder da equipe e principal mencionado.Vamos aos fatos:

– Quanto ao caso de assédio, sim, lamentavelmente ele ocorreu, porém antes que eu tivesse ciência (não me encontrava no WhatsApp no momento do ocorrido) o próprio culpado tomou a decisão de sair da equipe (antecipando sua óbvia exclusão) sendo assim deposto de todos os grupos da FILL, assim como o desligamento total de seu personagem e título. Jamais me ocorreu a ideia de tomar uma atitude diferente da exclusão, era o único caminho cabível que não se mostrou “necessário” devido ao mencionado. E sim, eu não sabia do fato, quando mencionam a conversa que a Domina teve comigo, ela teve essa conversa baseada sobre o comportamento do lutador (dizendo que ele as vezes passava do limite) e ao que é de minha ciência, conversei com ele e o fato não se repetiu.

– Sobre regulamentos, após ouvir os reclamantes, elaboramos diretrizes para contribuir ao nosso convívio (sempre tratei a equipe mais como uma família do que como uma equipe em si, por isso não achava necessário algo escrito, ato falho meu), este regulamento foi postado em nosso grupo privado do Facebook onde deixei explicitamente aberto o debate e a alteração de qualquer um dos pontos levantados afim de que todos se sentissem representados e confiantes quanto as regras estabelecidas.

– Quantos aos desligamentos da equipe que foram feitos. Bem, como mencionaram somos uma empresa profissional, e o mínimo que se espera nesse ambiente, é respeito à hierarquia mas acima de tudo, respeito à confiança que foram quebradas por eles.

– Quanto à demora por um pronunciamento oficial, como sempre digo e vocês já me cansaram de ouvir falando nisso pra quem nos acompanha nos pós evento, tenho a equipe como minha família, e sempre preferi tratar de nossos problemas internamente para depois externá-los quando se há necessidade para tal. Infelizmente (e para minha surpresa) tornou-se público mediante acusações, por isso me vi na obrigação de vir ter essa conversa com vocês.

Nos da FILL seguiremos trilhando nosso caminho pautado no respeito e na gratidão, não somos perfeitos, mas sabemos reconhecer nossos erros e buscar mudanças quando se mostram necessárias. À quem possa ter se ofendido ou se magoado com tudo isso, o nosso mais sincero pedidos de desculpas.Seguiremos à disposição de qualquer meio de comunicação que quiser conversar sobre o caso.

Por Johnny Marques

Fundador do Wrestlemaníacos.

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