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Espaço Livre #3 – A morte da WCW (por uma ótica que poucos conhecem)

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Sejam bem vindos a mais um Espaço Livre! Olá, eu sou o Danilo Ezequiel e apesar disso aqui não ser um post do Maniacult, cá estou eu com mais uma edição do Espaço Livre, aqui. Inclusive, quero aproveitar aqui pra explicar a ausência do programa nessa semana, que se atribui exclusivamente ao fato da minha voz ter ido pro brejo. Todos nós sabemos que já se passaram mais de 15 anos desde o último episódio do WCW Monday Night Nitro, que selava a última aparição da World Championship Wrestling como uma federação de wrestling ainda viva. Contudo, há um lado da história que certamente poucos conhecem. Enfim, clique na continuação e conheça tal história tão pouco comentada no mundo da luta livre.

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Desde os bastidores até o ringue todos sabiam o quanto o ano de 2000 havia sido ruim para a WCW. Talvez na cabeça de Eric Bischoff, a ideia de jogar a posse do booking da empresa nas mãos de Vince Russo não era tão ruim, afinal era um cara com experiência no ramo, e havia acabado de sair da WWF, e com toda a certeza estava com a mente fervilhando de ideias que não haviam sido aprovadas pelo egocêntrico Vince McMahon. Infelizmente, para os fãs da WCW, deram muita liberdade para Russo, que detonou a empresa com lutas, segmentos, campeões e decisões bizarras. Russo fez a façanha de num ano só trocar o cinturão da WCW por 20 vezes (inclusive passando por David Arquette e também pelas suas próprias mãos), além de rebootar junto de Bischoff, consequentemente “vacanteando” todos os titles, sem falar no fetiche sobrenatural de ter um vício crônico por Pole Matches. Viagra, Piñata e San Francisco 49ers (uma match com quatro caixas nas poles no canto do ringue) estavam inseridos na tara sádica de Russo. Ah, também ele colocou a mãe do Buff Bagwell na droga de uma empilhadeira, só para variar. Por isso, muitos fãs o culpam como responsável pelo fim da WCW.

via hubimg.com
Vince Russo como WCW Champion: tinha como (não) dar errado?

No entanto, o resto de 2000 veio e com ele um baita Spear de Goldberg em Russo, que pôs um fim a “bookeragem” de Russo por um tempo (obrigado judeu). Com isso, quem assumiu o booking da WCW foi Johnny Ace junto de Terry Taylor, e 2001 veio consigo trazendo ventos de boa esperança para a World Championship Wrestling. Desde 2000, muita gente começou a fazer propostas pela WCW, que Ted Turner recusava sem pensar. Só que no ano seguinte, a AOL se fundiu a Time Warner, naquela que muitos chamam de pior fusão da história mundial. Eles iriam dar cabo da WCW, e tentar vendê-la o mais rápido possível. Então, veio a ideia de Bischoff se unir a Fusient Media e comprar a empresa, para trazer a WCW para seus dias de glória. Na mesa, uma proposta de 50 milhões de dólares para assumir o controle da empresa. Na cabeça, um novo recomeço: um grande evento da WCW, chamado de Big Bang, tinha seus teasers na finada WCW Magazine, anunciando a criação da nova World Championship Wrestling. A partir do dia 6 de maio de 2001, eles teriam mais uma chance. A chance de voltar a revolucionar o sports-entertainment para sempre.

WCW Big Bang
Poster do WCW Big Bang: o (re)nascimento que nunca aconteceu

Só que havia um problema no meio do caminho. E ele tinha nome: Brad Siegel. Ele era o responsável pela venda da WCW na época, e por um acaso do destino, ele tinha um grande amigo chamado de Stu Snyder, que ajudava a WWF nas sucessivas tentativas de compra. O que aconteceu foi bem simples: após a negociação de Bischoff/Fusient junto a AOL pela compra da WCW, Siegel pegou o telefone e foi perguntar ao seu grande amigo o que era necessário para que a WWF saísse por cima da história e comprasse a WCW. Snyder foi bem taxativo: “Cancele toda a programação da WCW na TNT e na TBS”. Não deu outra. Se aproveitando da bagunça que estava pela fusão da America Online com a Time Warner, Siegel convenceu James Kellner a dar cabo de toda a programação da WCW, cancelando toda sua programação na premissa de que queriam “reformar a grade”, transformando a TBS num canal de comédia e esportes, enquanto a TNT se tornaria um canal mais voltado ao público adulto, longe dos “dirty-wrestling fans”. A parceria de Snyder/Siegel era tão sórdida que fez uma proposta de 50 milhões (com cinco milhões pagos antecipadamente) ser negada e subjugada por uma inferior, de 2.5, que forçaria ainda a AOL a ficar pagando 15 milhões em contratos remanescentes dos wrestlers.

Stu Snyder: não só afundou a WCW como também quase destruía o Cartoon Network (outra história)

Vocês devem imaginar: com quase tudo pronto e definido, Eric Bischoff vai a praia quando recebe uma ligação indesejada da Fusient Media, avisando que estavam caindo fora do negócio. O motivo? Não queriam comprar uma marca cuja programação fora cancelada pela sua emissora principal, porque isso fazia ela valer bem menos do que a proposta original. Após o WCW Greed, aquele que viria a ser o último PPV da história da WCW, todos se perguntavam o que aconteceria a empresa, até que uma chamada de Eric Bischoff esfriou os ânimos. Num tom derrotista, ele disse: “Muitos de vocês podem saber que nos últimos seis meses, eu tenho trabalhado com um grupo de pessoas cujo objetivo era adquirir World Championship Wrestling e fazê-la crescer mais uma vez para se tornar uma organização de luta competitiva, dominante em todo o mundo. Mas, recentemente, nós encontramos algumas barreiras que podem ser, na verdade, uma parede”.

Eric Bischoff no penúltimo Nitro da história, se explicando com os fãs e marcando o Night Of Champions

Tenham em mente que apesar da queda nos ratings e a vitória da WWF semana após semana, o Nitro ainda era o programa semanal de maior audiência na TNT. Na segunda feira seguinte, todos os títulos foram postos em jogo. Booker derrotou Scott Steiner e se tornou US Champion e World Heavyweight Champion simultaneamente. Shane McMahon apareceu no Nitro, e na primeira transmissão de duas emissoras rivais da história da TV, ele tirou a WCW da posse do pai (kayfabe). A World Wrestling Federation comprou a sua maior rival por 2,5 milhões de dólares, comprando a marca da WCW, sua biblioteca de vídeo e alguns contratos. O Big Bang nunca aconteceu. O dia 6 de maio veio e foi, sem surpresa nenhuma. A guerra havia acabado. Isso até o dia 28 de maio de 2001, em que Lance Storm (empregado da WCW) entrou num ringue da WWF e atacou o WWF Superstar Perry Saturn, dando início literal a Invasion.

Vince McMahon na TNN, enquanto o seu filho aparecia na TNT: aquele seria o começo da criação da Invasion e o fim da WCW como federação.

O que estou tentando dizer é que por causa de interesses, Brad Siegel sabotou a própria empresa. Se fosse comprovado, isso seria passível de prisão, por crime de corrupção. No entanto, a história só veio a tona após as declarações de Bob Ryder (antigo funcionário da WCW e atual Diretor de Talentos da TNA) explodirem em Outubro de 2001, numa entrevista cuja você pode ler aqui (em inglês). Infelizmente, nunca levaram adiante. Snyder foi para a Turner e foi bem sucedido lá, até se meter no poder da Cartoon Network (onde queria tirar os desenhos por live actions num canal de… desenhos). Os culpados nunca pagarão por seus pecados. Vince Russo ainda continua por aí a fazer besteira e criticar o booking da WWE, por mais que ele tenha feito pior. Da Fusient Media, pouco se ouve falar. Siegel e Snyder também sumiram do radar. A única certeza que temos, é que tudo isso matou o renascimento da WCW. Não creio que a World Championship Wrestling tenha morrido naturalmente, já que ela foi brutalmente assassinada por esses que nunca ligaram a mínima para o Pro-Wrestling. O que nos sobra são as conjecturas e o sonho de como seria o mundo do Wrestling caso Bischoff conseguisse realizar a compra. Nunca saberemos desse futuro alternativo, no entanto.

Fontes: Reddit/WWE.com

 

7 Comentários

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  1. O quadro “Sweetlicious Moments” está extinto? Desculpe pela pergunta, é que não faz tanto tempo assim que frequento este site. Alguém poderia me responder??? Ficaria contente com a resposta, obrigado.

      • Já até sei que problemas externos são esses. Kkkk
        Obrigado pela resposta, suas análises são ótimas, também assisto a seus videos, são bem trabalhados. continue com este ótimo trabalho que vc vem fazendo. E se ainda houver algum conteúdo sobre o tema mencionado.. “preservado”, depois me passa. Valeu.

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