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Na Teia do Aranha #113 – Mercados Unidos do Japão

Salve, povo!

Em mais um pensamento neste espaço, pensei um pouco sobre o movimento da NJPW nos últimos meses dentro do mercado estadunidense. Veio do nada? Surgiu do além? É bom ou é ruim?

Espero que leia, reflita, comente e, se quiser, sugira temas para próximos textos.

Forte abraço e valeu!

Mercados Unidos do Japão

Nas últimas semanas, os fãs da AEW e IMPACT Wrestling foram surpreendidos com a chegada de alguns lutadores provindos da NJPW do seu plantel aparecendo em seus shows. Na terra dos Khan, pudemos ver Kenta, Yuji Nagata e Ren Narita, além de terem em seu plantel o IWGP United States Champion, Jon Moxley. No IMPACT, El Phantasmo e Satoshi Kojima deram (ou darão, dependendo do dia em que ler esse texto) as caras na empresa, e David Finlay e Juice robinson foram campeões de duplas da empresa, andando com os cinturões nos shows das duas empresas por um tempo.

Para muitos, o modo como esses lutadores estão entrando nessas empresas (de maneira bem diferente com a qual a WWE propõe) é muito positivo, com a interação entre as marcas acontecendo de uma forma, aparentemente, fluida. Porém, olhando rapidamente, essa construção de modelo de negócios que a NJPW está fazendo não é de agora.esses desdobramentos já vem sendo construídos a alguns anos, com um foco único e visível: a internacionalização da marca.

Quando Harold Meij assumiu a presidência da NJPW, em maio de 2018, sendo o primeiro presidente estrangeiro da história da empresa, foi o primeiro passo rumo a esse alvo. Talvez ele não fosse a pessoa que mais conhecesse o que é a luta livre (ponto, o qual, foi alvo de muitas críticas durante sua jornada), mas, como poucos, entendia os caminhos do negócio que envolvia a luta livre, dentro e fora do Japão, fazendo com que essa abertura acontecesse da forma mais orgânica possível – afinal, os nipônicos tem dificuldades próprias em se abrir para um mercado que não sejam eles mesmos. E a confiança da Bushiroad (uma mega empresa que possui, dentre várias marcas, a NJPW) foi certeira.

Quando, em outubro do ano passado, Meij saiu do posto, dando lugar a Takami Ohbari, houve desconfiança devido a forma bem estranha com a qual se deu a saída (em meio ao G1 Climax 30). Porém, o próprio nome de Ohbari foi mais uma peça nesse processo. Formado nos Estados Unidos e tendo sido presidente do escritório americano da marca japonesa, já costurava contatos e caminhos entre as empresas estadunidenses. Construiu conceitos de programações próprias da NJPW para os Estados Unidos (como o NJPW Strong) e já começou a testar o público o qual gostaria de arrecadar. A Ring of Honor foi o começo de algo que, naturalmente (olha essa expressão novamente!) tendia ao crescimento. E o modelo de negócios dos Khan foi o gancho que queriam para, da sua forma, se estabelecerem, da forma deles, em um dos grandes mercados do pro wrestling mundial.

O quanto isso será bom ou ruim é algo que ainda não temos como analisar, pois o tempo em que isso está acontecendo é muito curto para qualquer chute que não seja com o coração de fã. O que dá pra perceber e dar mérito à NJPW está em dois pontos: a forma com a qual fazem o processo acontecer do jeito deles – bem devagar, tateando e conhecendo o terreno, para terem a maior certeza possível sobre onde estão pisando; e a maneira natural com a qual isso acontece, sem a necessidade de grandes explosões e chamarizes. O produto de qualidade deles já é mais do que o suficiente para chamar a atenção do público o qual desejam, nesse primeiro momento, que é o fã de luta livre que se limita só ao mundinho dos Estados Unidos e, quando lembram, do México e da Grã-Bretanha. Quem ganha nisso tudo? Somos nós, que vemos mercados de muita qualidade sendo mesclados, gerando produtos mais atrativos e que não limitam os orientais à caricaturas de ninjas ou com entradas similares a jogos de 8-bits.

Por Joao Aranha

Gosto de lutinha a um tempo. Escrevo sobre lutinha a um tempo. Comentei lutinha na TV por um tempo. Ídolo do Rato e do Izac Luna nas horas vagas.

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