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Na Teia do Aranha #115 – Igualdade?

Salve, povo!

Em mais um texto neste espaço, reflito em cima de uma fala de um figurão da luta livre que deu o que falar nos últimos dias. Quer saber quem falou e que fala é essa? Leia, reflita, comente e, se quiser, sugira próximos temas para dissertarmos por aqui.

Forte abraço e valeu!

Igualdade?

A alguns dias atrás de quando escrevo esse texto, Triple H deu uma entrevista coletiva, para falar sobre o NXT Takeover: In Yout House. Dentre as perguntas feitas, uma foi perguntando sobre a impressão dele sobre o PPV da NWA, entitulado Empowerrr, com a produção executiva da multicampeã e ex-lutadora da WWE, Mickie James, com foco exclusivo na luta livre feminina, que será feito no próximo mês de agosto. A resposta foi a seguinte (tradução livre):

“Então, igualdade é igualdade. Igualdade não é dizer: ‘eu quero meu próprio show’. Igualdade não é dizer: ‘temos que ter nosso próprio programa’. Se eu dissesse que estava fazendo um programa só para homens e que não queria mulheres nele, seria criticado, e não estou dizendo que isso é certo ou errado. Eu acho engraçado quando as pessoas dizem, ‘Eu quero o melhor do mundo, independentemente do status contratual’. Sinto muito, mas do ponto de vista de um empresário, então por que temos um status contratual? É como se isso não fizesse nenhum sentido para mim. (…) Sim, se você quer lutar contra as melhores mulheres do mundo, venha para a WWE. É onde eles estão . Se você quiser ir para outro lugar e dizer que elas estão lá, essa é uma opinião. E você pode opinar, mas é o que é, e sou totalmente a favor. Eu fui um dos maiores impulsionadores disso. Faremos outro evento exclusivamente feminino no futuro? Possivelmente, mas você sabe que não é prioritário no momento. Acho que fazemos um trabalho incrível em exibir nossas atletas femininas, e está perfeito. Isso estará sempre em um fluxo? Sim. Mas acho que fazemos um trabalho muito bom e, na minha opinião, as melhores mulheres do mundo estão na WWE e, se não estão, querem estar. “

Triple H, em resposta a Gary Cassidy, do “Inside the Ropes”

Independente de concordâncias ou discordâncias com pontos específicos ou com o texto todo, essa fala (que não é surpreendente) apresenta, ao meu ver, dois aspectos muito perigosos. Tão perigosos que eu, na condição de homem, hétero, cis, cristão e branco, consigo perceber isso. E, defintivamente, não sou o público atingido diretamente com esse discurso.

O primeiro ponto que me chamou a atenção foi de alguém que produz algo e, indiretamente, diz que a mesma coisa que outro produz, fora de seu quintal, está errado. A hipocrisia em não entender que não é somente a WWE a única empresa do mundo que tem direito de produzir conteúdo de qualidade em pro wrestling não é novidade. Mas, isso ser exibido dessa forma, não é todo dia.

O outro ponto diz sobre o conceito dele sobre igualdade (ou equidade, dependendo da tradução, mas, aqui, vou unificar para igualdade), que, se olharmos a fundo, ele não está de todo errado, pois a igualdade de importância não significa exclusividades. Contudo, o discurso está totalmente aquém da realidade apresentada na sociedade. É só olhar para a própria empresa dele e a sua avaliação, entendendo que um show exclusivamente feminino não é prioritário (e ele usou uma expressão bem famosa na gestão: o “must-have”, que é, numa tradução bem grosseira, é “deve ter”). Olhemos a história pregressa da empresa e como ele lida com o universo feminino dentro de lá, pra que saibamos que, mesmo não sendo ainda o melhor cenário, é a única saída para garantir e mostrar que as mulheres tem tanta (ou mais) competência que os homens para encaminhar um show de qualidade de luta livre na sua totalidade. Muito perigosa essa fala.

Mudar o contexto das mulheres e demais grupos minoritários dentro da luta livre é uma necessidade urgente, especialmente se uma promoção do esporte deseja se globalizar, atingindo mais nichos do que aquele que já estão acostumados a estar. O pro wrestling, dentro e fora do país, ainda é um ambiente muito preconceituoso em todas as suas formas, e a necessidade de combater esse pensamento e prática é urgente. Mas, infelizmente, esse tipo de fala não ajuda em nada. Porém, deve nos mover à luta contra esse status quo, sempre.

Por Joao Aranha

Gosto de lutinha a um tempo. Escrevo sobre lutinha a um tempo. Comentei lutinha na TV por um tempo. Ídolo do Rato e do Izac Luna nas horas vagas.

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