em , ,

Na Teia do Aranha #79 – Refazendo os Caminhos

É hora de refazer os caminhos do NXT? Ou do jeito que está, é bom? Confira!

Fala, pessoal!

                Voltamos a esse espaço para pensar com vocês em cima do NXT. Qual a razão da existência dessa marca? Quais as implicações de sua condição atual? Concordam comigo ou só falo bobagem? Só vai saber se ler, refletir, concordar ou discordar e discutir. Espero que aproveitem.

                Valeu!

Refazendo os Caminhos

Quando, em agosto de 2012, a WWE decidiu transformar o NXT – que, até então, era um programa estanque das marcas principais da empresa, onde havia uma disputa um tanto esquisita entre lutadores novatos na empresa com seus tutores – em seu novo território de desenvolvimento, com programas televisionados pela sua rede de televisão virtual (WWE Network), descontinuando a FCW, muito se perguntou se essa ideia iria vingar, especialmente pelo fato de que o próprio NXT surgiu em 2010 como uma alternativa ao encerramento da ECW, mas que, na prática, era tudo, menos o que tinha se proposto no início. Essa dúvida pairou a cabeça dos fãs durante um bom tempo.

Atualmente, o NXT deixou de ser um território de desenvolvimento na sua essência e se transformou, efetivamente, na terceira marca da empresa – junto ao RAW e ao SmackDown Live -, cumprindo o que os diretores da empresa pensaram desse projeto a quase dez anos. No meio do caminho, em 2013, foi criada uma das coisas mais interessantes da empresa dentro dessa empreitada: o WWE Performance Center, que tem como objetivo trazer os melhores atletas do mundo e/ou pessoas que reúnam talentos que a empresa considere prodigiosos, e os preparam para serem Superstars da WWE.

Nos primeiros anos do projeto, as coisas andavam de maneira bem tranquila, com muitos homens e mulheres vindos com experiências muito diferenciadas (alguns com nenhuma experiência em luta livre profissional) e, na caminhada de desenvolvimento, muitos daqueles que iniciaram a sua caminhada no esporte exclusivamente pelo Performance Center conseguiram alçar grandes voos, chegando aos grandes títulos da empresa. Isso levou a WWE a expandir sua busca para além das fronteiras da Europa, América do Norte e Japão. O próprio Brasil possui três lutadores que caminham muito bem na empresa.

Todavia, o que se percebe nos últimos anos, é que no momento em que o NXT deixou de ter um caráter exclusivo de território de desenvolvimento e se tornou a terceira marca da empresa, esse conceito de utilizar a “prata da casa” está sendo deixada um tanto de lado, sendo preteridos pela busca por medalhões já prontos nos mercados mundiais de pro wrestling no mundo. Afinal, não vemos em nossas redes sociais, quase toda semana em que há um show do NXT as perguntas sobre se os brasileiros lutarão ou não, se eles terão chances de chegar aos eventos principais ou não, dentre outras do tipo? A pergunta que fica é: isso tudo é culpa da WWE ou ela está de mãos limpas nesse processo?

Responderia: Em parte, sim. A tradição da empresa é tão grande perante as demais, que, a maioria absoluta dos lutadores do mundo tem o desejo de, em algum momento da carreira, pisar em um dos seus ringues. E, para muitos, o NXT é a chance de entrar na empresa por uma porta mais fácil, comparada ao RAW e ao SmackDown – mesmo que essa porta não seja tão fácil atualmente. Soma-se a isso a distância grande que as outras empresas ainda possuem para a WWE em termos financeiros e de audiência (não, a AEW, a Triple A e a NJPW, por mais tradicionais ou mais revolucionárias que possam ser, ainda precisam percorrer um longo caminho para ser uma rivalidade incômoda para a WWE como um todo). E com o inchaço de lutadores talentosíssimos (que discutiremos em outra oportunidade), fica extremamente difícil alguém que venha de um universo fora do pro wrestling ter a capacidade de aprender a arte da luta e se desenvolver para uma competição de alto nível com os melhores que pousam na WWE, vindos de vários cantos do globo. Era aceitável, até a poucos anos atrás, assistir a uma luta entre Carmella e Alexa Bliss com erros pesados e ritmo de luta duvidoso, pois havia a compreensão de que era um local onde mulheres e homens estavam ali para se desenvolver. Hoje, elas se desenvolveram. Mas, provavelmente, uma luta daquelas seria bastante criticada pelos fãs do NXT, por não ser boa.

Talvez seja a hora da WWE começar a pensar, em um futuro a curto ou médio prazo, em criar uma nova marca que retome a essência de um território de desenvolvimento. Aos que pensaram em Evolve e outras promoções que tem servido com essa função, penso que, por mais que possam servir com essa utilidade, pode ser um complicador par aqueles, especialmente, que não possuem nenhuma experiência nesse tipo de esporte, pois são empresas independentes consolidadas no mercado estadunidense, que possuem grandes talentos da luta livre, que exigirão muito de pessoas que, em certos casos, não terão a capacidade de desenvolver seu padrão de luta, pois o sarrafo estará alto demais para seu nível atual.  Ou seja, é preciso desenvolver. Mas é preciso gerar um caminho de desenvolvimento saudável, e não, simplesmente, transformar a busca pelo sonho em uma edição real de “Jogos Vorazes”. Isso não é bom para a empresa e, sobretudo, para o esporte.

Por Joao Aranha

Gosto de lutinha a um tempo. Escrevo sobre lutinha a um tempo. Comentei lutinha na TV por um tempo. Ídolo do Rato e do Izac Luna nas horas vagas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *