em , ,

Na Teia do Aranha #80 – Indo (e Vindo)

Como lidar com as idas e vindas?

Salve, povo! Tudo bem?

Mais uma semana, mais um texto nesse nosso espaço. Hoje, tratamos de alguns fatos que exigem de nós, fãs de luta livre brasileira, nosso olhar muito atento sobre a situação – especialmente porque a internet está aí e, pra distorcer tudo, não custa muito. Além disso, é a primeira vez que faço um texto sobre um texto que escrevi. Pirei? Quer saber sobre o que é? Clique abaixo, leia, reflita, comente e sugira temas para próximos pensamentos.

Abraços e valeu!

Indo (e Vindo)

Primeiramente, queria pedir desculpas de antemão a todos os lutadores de pro-wrestling do Brasil (e quem sabe de fora do Brasil) que estejam lendo esta reflexão), pois não tenho lugar de fala como praticante do esporte para falar com toda plenitude sobre o tema, mas falo como alguém que conhece um pouco de luta livre, pra ser considerado um fã. Afinal, estamos aqui fazendo uma grande catarse sobre um fato que veio a mim nos últimos dias, até com uma grande surpresa, a princípio, pois não esperava que algo do tipo acontecesse nessa época do ano na WWE (pois a famosa “barca” costuma zarpar no pós-Wrestlemania) : a suposta saída de Taynara Conti da empresa de Vince McMahon.

Taynara Conti

A curiosidade sobre o fato me levou a pesquisar os sites especializado em luta livre nacionais e estrangeiros para saber não somente a opinião dos colunistas e repórteres, mas – e especialmente – medir a reação dos fãs com tal fato, já que a mesma não aparece em shows televisionados desde o dia 25 de dezembro do ano passado e em live shows desde o dia 12 de janeiro. Para minha surpresa, as reações foram bem mistas (achei, de coração, que iria ser um show de “ela é gostosa, hurr durr”, mas nem foi tanto assim).

O que mais me surpreendeu, no meio disso tudo, foi a reação de algumas pessoas dizendo que, caso a saída dela seja por, como supostamente alegado, por motivos financeiros, que ela mereceu essa dispensa, pois não merecia aumento nenhum por estar começando nesse negócio. Então, será que há certos ou errados nessa questão. Será que olhamos esse fato por um lado apenas? Ou a emoção venceu nesse caso? Afinal, uma empresa que lucrou, no ano de 2019, em torno de 180 milhões de dólares, poderia dar um aumento salarial, não é?

Por outro lado, no meio de uma marca como o NXT, que deixou de ser um território de desenvolvimento a muito tempo, o espaço estava ficando cada vez mais escasso, diante de tantos talentos de outras empresas embarcando no submarino amarelo e negro da WWE. A sua evolução é visível, mas, em alguns momentos, pode não parecer suficiente diante de tanta gente que chega “pronta” para a empresa. Taynara não teria mais muitas chances se não percebessem que sua evolução estava condizente com o esperado.

Então, diante desse relance de pensamento, me perguntei: será que, realmente, era hora dela pedir esse suposto reajuste salarial, ou poderia ter esperado oportunidades melhores para isso? Quais eram seus planos de carreira para além da WWE? Pois, a  maior parte dos contratos dos membros do Performance Center tem cláusulas de exclusividade bem pesadas, e restrições de uso das redes sociais e qualquer outra atividade que possa gerar remuneração bem fortes – o que é normal para uma gigante do setor, como a WWE é.

Por outro lado, outras questões surgem: O que a levou a pedir esse suposto reajuste? Será que teremos a compreensão do que passa em sua mente que a levou a pedir esse suposto reajuste? Afinal, os salários dos recrutas do Performance Center não são iguais e, em um país cruelmente capitalista e consumista como os Estados Unidos são, os boletos chegam todo mês, e aí, cada um reage às situações da vida de formas diferentes, gerando uma certa incerteza à nossa reflexão crítica, quando está muito fora da solução que poderíamos tomar, diante desse caso.

Sinceramente, por mais que possa achar certo ou errado, só poderíamos emitir um juízio de valor com algum critério ao entender os motivos para isso. Querendo ou não, Taynara e a WWE estão em uma relação de trabalho, a qual podem encerrar em qualquer momento, de acordo com a vontade das partes. Que possamos botar a mão na consciência, exercitar um pouco da empatia e da reflexão crítica e, independente do que acontecer com ela, que Taynara possa – parafraseando a famosa frase da WWE – ter sorte em seus futuros empreendimentos, com a certeza de que ela já fez história dentro da empresa e, especialmente, dentro da luta livre brasileira.

(Mas aí, ela não saiu. E o texto continua.)

Creio que, em todos esses anos nessa indústria vital, é a primeira vez que escrevo um texto após o texto. Pois preparei todo o escrito acima antes de saber que Taynara Conti não tinha saído da empresa, e que o “Released” pareceu ser uma jogada para a construção de uma nova personagem – muito sagaz, por sinal, pois aproveita um aspecto que ela consegue demonstrar com muita habilidade, que é a atuação expressiva aguda dos seus sentimentos, enquanto persona no ringue.

Parei e pensei: “Apago ou não apago tudo isso que escrevi?” E não apaguei. Sabe o porquê? Porque a iminência de demissão é algo que assombra muito os lutadores da WWE nessa época do ano, e podemos usar o exemplo dela (que, nesse caso, até agora, não saiu e não tem nenhum indício de que sairá) para poder expressar um aspecto bem demonstrado anteriormente: o de que nunca podemos entrar na mente das pessoas e emitir juízo de valor sobre seus desejos e aspirações.

No último domingo, 16 de fevereiro de 2020, Cathy Kelley trabalhou seu último dia na WWE. Quando anunciado por ela, causou muito espanto entre os fãs do esporte, e alguns já culparam a empresa pela demissão da mesma, sendo que a rescisão, pelo que consta nas notícias últimas, foi amigável, pois justificou-se pela repórter querer aproveitar outras oportunidades que a vida lhe abriu, durante os últimos quatro anos que trabalhou na WWE.

É errado? Nunca será. Ela tem todo direito de viver a vida dela da maneira que deseja e, se os anos em que esteve na corporação da família McMahon a fizeram criar força e experiência para alçar novos voos, e os anseios da sua vida são esses, que a mesma seja feliz onde quer que ela estiver. E nenhum de nós temos o direito de apontar erros e acertos quando não entendemos o que a levou a esse caminho.

Taynara, Cathy ou qualquer outra pessoa tem o direito de sonhar com dias melhores nos caminhos que o coração, alma e mente consigam se alinhar, gerando paz pra viver os dias. A luta livre é esse esporte vivo, que leva e traz pessoas num repente, sem pensar muito. Essas pessoas são o sangue que circula nesse corpo e deixa sua contribuição para que a nossa paixão permaneça sempre viva pelas gerações. Que muitos mais vão e venham. Nós agradecemos.

Por Joao Aranha

Gosto de lutinha a um tempo. Escrevo sobre lutinha a um tempo. Comentei lutinha na TV por um tempo. Ídolo do Rato e do Izac Luna nas horas vagas.

Um comentário

Deixar um comentário

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *