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Na Teia do Aranha #81 – Precisa Disso?

A WWE precisa mesmo se submeter a esse tipo de show?

Salve, povo!

Mais uma vez, estamos aqui pra conversar com vocês sobre WWE, eventos desnecessários e magnatas árabes que conhecem muuuuuuuuuuuuito de luta livre.

Do que estou falando? Clique no “leia mais”, reflita, comente, debata e compartilhe, ok?

Forte abraço!

Precisa Disso?

É muito difícil se desvencilhar do coração de fã, quando se observa uma situação dessa ocorrendo, mas, vamos lá. Como alguns sabem, a WWE produziu, pela terceira vez em sua história, o WWE Super ShowDown, que, no seu primeiro ano, ocorreu em Melbourne, Austrália. Porém, a partir de seu segundo ano (2019), ocorreu na Arábia Saudita, fato que se repetiu no ano de 2020.

Esse não foi o primeiro grande evento que acontece no país do Oriente Médio. Desde 2013, a WWE vem fazendo shows ao vivo, conseguindo inserir a sua programação no país, pela OSN Sports (que foi descontinuada em 2019 em seu modelo original, mas foi repaginada e ainda transmite a WWE pela região). A partir de 2018, a empresa estadunidense fez um contrato de parceria de 10 anos com a Autoridade Esportiva Árabe (o equivalente ao que é, hoje, a Secretaria Nacional dos Esportes no Brasil), gerando o Greatest Royal Rumble – uma batalha com 50 lutadores, vencida por Braun Strowman.

Até então, foram cinco eventos dessa magnitude (Greatest Royal Rumble, duas edições do Crown Jewel e duas edições do Super ShowDown) que, segundo a empresa, foram de grande sucesso de público e audiência. Bem, isso até pode ter sido mesmo. Todavia, quais são os efeitos dessa inserção “amigável” dos árabes no universo da WWE? Poderia fazer um texto a parte falando sobre como a Arábia Saudita trata as suas mulheres, relegando-as a última classe de ser no país, prejudicando as lutas da divisão feminina da empresa nesses shows, ou poderia escrever sobre os McMahon peitarem toda a crítica estadunidense e fazer um dos grandiosos shows exatamente no período em que Jamal Khashoggi, dissidente árabe e jornalista do Washington Post, foi sequestrado e assassinado por agentes árabes. Ou poderia falar sobre o boicote de lutadores com origens de países em permanente conflito com os árabes, como Noam Dar (israelita) e Sami Zayn (sírio), e até de outros com origens de países não-conflituosos, como Kevin Owens e Aleister Black (notícias, as quais, foram veiculadas por nós do Wrestlemaníacos). Mas, não. Queria falar só sobre uma palavra, de maneira bem resumida: petrodólares.

Aos que não ouviram ou não lembram dessa expressão, ela foi criada na década de 1970, para descrever as fortunas que são geradas através da extração e exploração do petróleo. Lembremos que a Arábia Saudita é o segundo país do mundo com mais reservas de petróleo descobertas e é o maior exportador de petróleo do mundo. Tá bom para você? Ou vale dizer que o país tem papel importantíssimo nas articulações políticas da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e está entre as 20 maiores economias do mundo – lembrando que o Brasil, que tem 4 vezes o tamanho do território árabe e quase 8 vezes o tamanho da população árabe figura “apenas” entre as dez maiores economias do mundo.

“Ah, Aranha, pra que aulinha chata de história e geografia?” Para te dizer que os árabes tem exatamente o que os executivos e acionistas da WWE gostam: dinheiro. E, para alguém que tem um histórico de falta de escrúpulos, como Vinnie Mac tem, não é nem um pouco difícil ignorar a opinião pública e ir a um país que lhe oferece dinheiro fácil, criando troféus, cinturões, forçam lutadores goela abaixo do público e obrigam a empresa a se amoldar aos gostos do público – ou alguém não lembra ou não viu as poltronas brancas nas primeiras filas de um desses grandes eventos, para que os convidados e membros da família real saudita pudessem se recostar, bebendo e fumando, assistindo a uma luta da WWE como se estivessem assistindo uma corrida de cães (nem os cães mereceriam isso, coitados).

Mas, não vamos falar só disso, não é? Que tal falarmos de construírem eventos que, além de exigir toda uma logística diferenciada para a viagem (ou acham que levar cinquenta lutadores para uma Royal Rumble, mais toda equipe de produção e equipamentos, como uma estrutura de grades de aço, é fácil pra caramba?), destroem todos os nexos possíveis de construção de um caminho bem pavimentado para a WrestleMania? Então, esse foi o WWE Super ShowDown 2020.

Quando olhei os resultados, e fui verificar os melhores momentos das lutas, pensei que tinha parado em algum lugar entre 2004 e 2010. Mas não, era 2020! E vemos um lutador que não tinha nada a ver com nenhuma storyline, que não tem a ver mais com nada, além de ter sido um grande nome do passado, ser laureado com um dos principais títulos da empresa, estraçalhando o caminho de um dos lutadores mais proeminentes da empresa, talvez, dos últimos dez anos. E as derrotas dos lutadores negros em um país que tem uma certa estranheza com pessoas assim? Surpresa? Nenhuma. E ver um lutador (e um dos meus favoritos) aparecer do nada, para vencer um troféu que não vale nada, só para agradar aos califas? Lembrando que, a pouco tempo atrás, alguns desses investidores para que um evento desse aconteça pediram a presença de lutadores como Hulk Hogan, The Ultimate Warrior (?) e Randy Savage (??).

Então, não se surpreendam com esses resultados mais do que malucos, com essas lutas que destroem qualquer rivalidade sendo construída, com esses pedidos esdrúxulos, com esse tipo de comportamento vindo por parte das autoridades árabes e por parte da WWE. Não há nada além de pensamento sobre lucratividade, rentabilidade e quanto esse tipo de evento pode mostrar um “avanço social e econômico” do país – pois esses eventos fazem parte do Saudi Vision 2030, um ambicioso plano para mostrar o quanto estão “avançando”. Não adianta reclamar ou chorar: esse tipo de situação dificilmente melhorará enquanto não gerar uma legítima revolta nos fãs. Afinal, reclamar hoje e voltar no dia seguinte não gera nada além de estresse e arrependimento. Precisa disso, WWE?

Por Joao Aranha

Gosto de lutinha a um tempo. Escrevo sobre lutinha a um tempo. Comentei lutinha na TV por um tempo. Ídolo do Rato e do Izac Luna nas horas vagas.

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