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Na Teia do Aranha #82 – É Coisa Séria

A WWE e a incompetência e ganância diante do combate ao coronavírus

Salve, povo!

Diante da ameaça do coronavírus, que virou o mundo de pernas pro ar, não podia deixar essa oportunidade passar, para falar de como a luta livre reagiu a tudo isso e quem deveria dar o maior exemplo, se tornou a maior decepção.

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É Coisa Séria

Se você veio de algum outro planeta e aterrissou aqui hoje, deixa eu te explicar rapidamente: na última semana, a Organização Mundial de Saúde declarou uma pandemia (“doença infecciosa e contagiosa que se dissemina muito rapidamente e acaba por atingir uma região inteira, um país, continente etc.”, de acordo com o dicio.com.br) de uma doença respiratória chamada Coronavírus (COVID-19) que teve a origem dessa mutação da doença na China e tem uma velocidade de propagação assustadora, já tendo matado mais de 5.700 pessoas em 137 países, como Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, França, Itália, Colômbia, Rússia e o Brasil que acumula, até a data a qual estou escrevendo esse texto (16 de março de 2020), 234 casos confirmados e mais de 2000 casos suspeitos e 1600 casos descartados.

A pandemia gerou uma série de ações para que o vírus possa morrer mais rapidamente. Uma delas é a aglomeração de pessoas, que pode causar uma multiplicação espantosa do vírus. Não importa se é o show da sua banda favorita ou aquela festa de aniversário bacana: esse é o momento de ficarmos em casa, nos cuidando, lavando bem as mãos, higienizando bem os ambientes que habita, usando o tão concorrido álcool gel (mas o bom e velho sabão serve tão bem quanto) e evitando o contato com as pessoas. Todas as áreas da sociedade tem sido gigantescamente afetadas pelas medidas de saúde pública impostas pelos governos, e o esporte é uma delas. Várias atividades esportivas foram suspensas e/ou canceladas, em prol do não-ajuntamento de pessoas, facilitando o desaparecimento do vírus, como a Premier League, Formula 1, SuperLiga de Vôlei e todas as divisões do futebol brasileiro. Até as Olimpíadas de Tóquio, daqui a pouco mais de quatro meses, estão ameaçadas de não acontecer.

Essa comoção não é diferente com o Pro Wrestling. Empresas como a Ring of Honor, NJPW, wXw e Evolve cancelaram seus shows, obedecendo as autoridades locais de saúde e entendendo que o maior cuidado deve ser com seu material humano, levando os lutadores a ficarem em casa, descansando, enquanto o surto do vírus não passa.

E a WWE? Se importou? Nem um pouco.

Contrariando todas as recomendações, sabendo que o local onde seria feito o Axxess (evento para fãs no final de semana da Mania, promovido pela WWE) teve um caso positivo de coronavírus, vendo que inúmeras empresas do mesmo esporte pararam as suas atividades, tendo conhecimento de que o movimento aéreo entre outros países para os Estados Unidos estavam prejudicados, não pararam. Fizeram shows a portas fechadas, alegando que “o show não pode parar” e que “o desejo é de dar um sorriso aos rostos dos fãs”, mantiveram o RAW e o SmackDown na ativa (em dois dos shows mais deprimentes que já assisti em vida) e foram peitando o universo – estou assistindo, no momento em que escrevo isto, o RAW, e minha opinião não muda, está triste demais de ver – e estavam peitando Deus e o mundo.

Então, na data em que escrevo o texto (16 de março de 2020), a WWE emite um comunicado informando que (tradução do site wwe.com):

“Em coordenação com parceiros locais e oficiais do governo, a WrestleMania e todos os eventos relacionados a ela não acontecerão mais em Tampa Bay. Entretanto, a WrestleMania ainda será transmitida ao vivo no domingo, dia 5 de abril na WWE Network e Pay-Per-View. Apenas pessoas essenciais estarão no complexo de treinamento em Orlando, Flórida para produzirem a WrestleMania.”

wwe.com

Ou seja: o maior evento da empresa e do esporte nos Estados Unidos, que atrai gente do mundo todo, não pode acontecer em Tampa, mas pode acontecer com portões fechados, em um local infinitamente menor? Será que não podiam ter adiado esse evento para alguns meses a frente, no intuito de que todos os fãs que contaram os dias para estar no maior palco de todos, pudessem ter a chance de ir? Será que contratos de patrocínio e publicidade que podem ser ajustados são mais importantes que a alegria dos fãs? Será que a vida das pessoas não é mais importante que equilibrar as contas?

Acho que, pra eles não. Para eles, não é coisa série. Mas, sim. O coronavírus é coisa séria. Cuidem-se, amigos.

Por Joao Aranha

Gosto de lutinha a um tempo. Escrevo sobre lutinha a um tempo. Comentei lutinha na TV por um tempo. Ídolo do Rato e do Izac Luna nas horas vagas.

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