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Na Teia do Aranha #85 – Esporte vs. Pandemia

Como a luta livre está lidando com o seu (atual) pior adversário?

Salve, povo!

Mais uma vez estamos (quarentenados) por aqui, conversando com vocês sobre temas ligados à luta livre no mundo. Dessa vez, não há como escapar da pergunta que aparece em nossas mentes, fãs da amada lutinha, vez em sempre, em tempos de CoVid-19: como o nosso amado esporte está lidando com a pandemia?

Leia, reflita, comente, debata e sugira temas. Todos eles serão muito bem vindos. Clique no “leia mais” e aproveite.

Abraços e valeu!

Esporte vs. Pandemia

É perceptível que vivemos um dos períodos mais marcantes da nossa linha histórica, diante da pandemia do COVID-19, onde, praticamente todas as nações, sem distinção, sofrem com os danos que durarão, talvez, décadas. Até o momento o qual escrevo esse texto, somente o Brasil possui mais 43 mil casos confirmados, e pouco mais de 2.700 casos de morte, segundo dados vinculados do Ministério da Saúde – mas sabemos que esses dados são muito maiores e mais pavorosos que os apresentados. As medidas atingiram um nível de severidade que nos obrigam a viver em estado de quarentena, acastelados em nossas casas, evitando o contato social e, consequentemente, aglomerações que possam ajudar na multiplicação muito rápida do vírus.

Número de Casos e Óbitos do CoVid-19 no Brasil, até o dia 27/04/2020, às 14:00.

Essa tragédia em curso tem afetado todas as áreas da sociedade, incluindo o esporte, onde se encontra a nossa querida e amada salve-salve luta livre. Em nível nacional, vimos que, felizmente, as promoções de luta livre (as que tem mais visibilidade, pelo menos) seguiram corretamente as orientações da Organização Mundial de Saúde e suspenderam suas atividades até que a população seja liberada da quarentena, de preferência, com o surto bem longe do nosso país. Na Europa, até onde é relatado, todas as principais empresas de pro wrestling interromperam suas atividades igualmente.

No México, a quarentena está sendo obedecida pela maioria das empresas de luta livre, especialmente após a confirmação da morte de Black Demon, lutador da pequena promoção local Pedragón Rojo. Além disso, situações bastante complicadas, como a ameaça de fechamento permanente de algumas arenas e pedidos de apoio financeiro por parte de muitos lutadores estão sendo motivo de esforço de vários para colaborar na manutenção dos mesmos, incluindo os próprios sindicatos de lutadores – que exercem papel importantíssimo na situação. Porém, a AAA (empresa mais internacionalizada do país) iniciou, desde o último dia 18 de abril, o “Lucha Fighter AAA Live”, torneio a portas fechadas, com alta interatividade do público, transmitido pelas redes sociais ao vivo, tendo, segundo os organizadores, “todos os cuidados com  a sanitização dos locais de luta”, o que tem gerado uma grande discussão sobre a necessidade de voltarem qualquer atividade neste momento da crise, em um país que, até então, ultrapassou a marca de 9 mil casos e 800 mortes causadas pela doença.

Black Demon, lutador mexicano, morto aos 39 anos por CoVid-19

Assim como a promotora mexicana, quase todas as principais promoções de luta livre do país, lideradas pela NJPW, foram, em bloco, até o ex-Ministro da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia do país, atual membro da câmara dos representantes (e ex-lutador da NJPW) Hiroshi Hase, clamando por ajuda financeira e uma quantidade grande de testes para todos os lutadores e lutadoras, em uma tentativa de acelerar a descoberta dos que estão com o COVID-19, para, a partir disso, conseguirem, de alguma forma, voltarem às suas atividades. Contudo, esquecem que, não necessariamente, os testes solicitados conseguem descobrir o vírus em algumas fases da doença dentro do corpo humano. Portanto, algum lutador poderia ter o teste negativo e, alguns dias depois, a doença aflorar, podendo não só levar a óbito, mas infectar todos que estão à volta de alguma forma.

E os Estados Unidos? O país que tem mais de 800 mil casos confirmados, com mais de 46 mil mortes (cerca de 25% de todas as mortes do planeta) tem as suas duas principais empresas de luta livre (AEW e WWE) tocando os seus shows semanais sem pausas, alegando que estão tomando todos os cuidados devidos com seus funcionários, para que o coronavírus não os atinja. Porém, só a WWE conseguiu, devido à insanidade de seu presidente, criar uma lista de atitudes desprovidas de qualquer humanidade, como: preferir manter o seu maior evento a portas fechadas do que adiá-lo, vetar e tirar títulos de lutadores que estão incapacitados de estar no local dos shows e/ou não se sentiram à vontade em burlar a quarentena, por questões médicas e/ou pessoais, demitir desnecessariamente mais de 50 profissionais (até o momento), alegando “corte de gastos” de uma empresa com reserva de caixa gigantesca, acusação de lobby político e pagamento de propina para que o governador da Florida considerasse a empresa como “serviço essencial”, alegações de que funcionários estão sendo coagidos a trabalharem, apesar da quarentena, dentre outros – e cada fato desse dariam vários pensamentos a parte!

Evento vazio de sentido e de público.

Diante de tantas atitudes irresponsáveis de pessoas que focam o seu olhar e coração simplesmente na tratativa do lucro, nós, que amamos o esporte, temos a obrigação de falar o quão absurdo e, de certa forma, vergonhoso, é presenciar como essas empresas não se inteirando na vida do seu público, do seu povo. Não é hora de entrar em um ringue cercado, sendo que o campo de batalha real está fora dos ginásios, nas casas das pessoas, nos locais onde haja a legítima necessidade de trabalho, onde pessoas morrem e não há mais cemitérios para enterrar os corpos. É hora dos pro wrestlers de todo o mundo quebrarem esse sistema doente, de colocar a vida deles e de outros que fazem esses shows funcionarem, para usarem sua influência para ajudar a quem realmente precisa – numa live, conversando com as pessoas, ou ajudando alguma campanha de arrecadação de alimentos, roupas e afins, ou como puder.

Cremos no esporte como forma de caminhada com a vida e com a saúde. E cremos na verdadeira força da luta livre: nunca desistir de defender o que se acredita. E acreditamos na vida e no respeito ao próximo, acima de qualquer ideal financeiro. Dinheiro, a gente arruma depois. Vidas, não tem como. Cuidem-se. Fiquem em casa, se possível.

Por Joao Aranha

Gosto de lutinha a um tempo. Escrevo sobre lutinha a um tempo. Comentei lutinha na TV por um tempo. Ídolo do Rato e do Izac Luna nas horas vagas.

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