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Na Teia do Aranha #93 – Caminhar e Construir

Salve, povo!

Em mais um pensamento pra vocês neste espaço (com alguns dias de atraso, mas chegou), falo da estreia de Arturo Ruas no “Monday Night RAW” e uma preocupação que tenho diante dessa estreia dele. Quer saber qual preocupação é essa? Leia, reflita, comente e, se quiser, deixe sugestões para próximos textos.

Forte abraço e valeu!

Caminhar e Construir

                Nas últimas semanas, o público brasileiro fã de luta livre foi positivamente surpreendido ao ver Arturo Ruas, seguidamente, lutar em uma edição do “WWE Main Event” e aparecer no “Monday Night RAW”, em um de seus mais recentes segmentos, o “RAW Underground”, ambientado em um local onde lutas clandestinas acontecem no melhor estilo apresentado no clássico filme “Clube da Luta”. É a primeira vez na historia moderna da WWE que um lutador de nosso país aparece no principal show da empresa estadunidense – o último havia sido Giant Silva, no final da década de 1990. Esse fato, naturalmente, trouxe uma animação muito grande entre a audiência daqui do Brasil, pois, não só Arturo exibia suas habilidades, como era valorizado por isso – algo bastante raro de acontecer, se tratando de um lutador de fora do eixo Estados Unidos – México – Japão – Europa.

                Ao mesmo tempo em que fico muito feliz com o que está acontecendo com Arturo (pois ele é merecedor do reconhecimento), me preocupo com uma questão, diante deste cenário, que é a reação do público que está vendo tudo isso acontecer e não está habituado com o pro wrestling. Por que? Bem, vamos lá.

                Quando alguém consegue se destacar em uma área onde o público geral (aqui, são os que não estão no nicho, ou seja, aqueles que acompanham regularmente os shows de luta livre), é muito comum que a mídia se interesse em contar a história dele e como ele chegou até essa posição de destaque. Até aí, normal e muito necessário para a luta livre nacional esse “banho de mídia”. Automaticamente, quando algo é falado na grande mídia, traz uma parcela do público geral que fica curioso em saber que raios de luta livre é essa que um brasileiro está sendo televisionado para todo o mundo, batalhando em um cenário de submundo.

                Só que esse público que fica curioso com o que viu vem da mesma raiz do público que diz que “luta livre é tudo marmelada” e que “essa teatrinho de mentira é bobagem” e que, nas últimas duas décadas tem tentado, lamentavelmente, colocar a nossa paixão como algo de último escalão. E quando perceberem o que acontece no “RAW” ou em qualquer show de luta livre, sem o desejo de se aprofundar no entendimento do que realmente acontece ali, o risco de decepção é bem alto. E quando FOX Sports ou qualquer outro canal de televisão transmite a WWE, AEW, IMPACT Wrestling ou qualquer outra promoção de luta livre, tem uma preocupação altíssima (em alguns casos, até prioritária) em ir até esse público, para criar, manter e perdurar a base de fãs e, assim, não deixar o show morrer.

                Por isso, mediante o discurso histórico que ouvimos, a hora é de festejar e aproveitar o momento, mas com muita cautela, dando um passo por vez, sem exageros ou ufanismos desnecessários. Ver um grande número de brasileiros fazendo sucesso no pro wrestling nos enche de alegria e nos dá esperança de dias melhores para o Brasil no cenário internacional da luta livre. Mas, a construção é diária, ainda mais com um público que, normalmente, quer torcer e apoiar apenas o que vence, o que é o primeiro, e não apoia as pequenas vitorias durante o processo e a dignidade com que se representa o país no contexto do exterior. Nesse caso, “bater em todos” não adianta. O que vale é que todos entendam, e devemos ajudar nessa caminhada pelo ‘megaverso’ da luta livre profissional.

Por Joao Aranha

Gosto de lutinha a um tempo. Escrevo sobre lutinha a um tempo. Comentei lutinha na TV por um tempo. Ídolo do Rato e do Izac Luna nas horas vagas.

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