Créditos da imagem: Ricky Havlik/AEW.
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Pílulas 01: Kenny Omega e as Virtudes da Liderança

Nada melhor que pílulas neste mundo pandêmico.

É com grande alegria que iniciamos uma nova coluna neste site. Com a proposta de oferecer doses pontuais de crônica e opinião sobre o esporte, a indústria e o entretenimento, nada melhor que pílulas neste mundo pandêmico.

Aproveito o ensejo para agradecer a oportunidade de contribuir; não para dividir este espaço, mas multiplicá-lo em relevância com os brilhantes colegas que aqui já trabalham. Obrigado pelas portas abertas.

Pois bem, com a introdução feita, vamos ao assunto proposto: com quantos paus se faz um trono e com quantos cargos executivos se constrói uma hierarquia que trabalha para o bem de seus funcionários?


Muito se tem falado sobre a política da equipe criativa da AEW, principalmente sobre o destaque relegado às suas estrelas. Celebra-se algumas decisões, como a escolha de Chris Jericho para o Cinturão Mundial ou o cenário de duplas bem programado.

Contudo, esse mesmo ponto passa invariavelmente por Kenny Omega.

Quando assinou seu contrato e assumiu o cargo de vice-presidente executivo (assim como os Irmãos Jackson e Cody Rhodes), grande parte da mídia especializada criou expectativas em prever o card principal abarrotado com estes mesmos nomes. Projetaram, assim, a ideia de que quem tem o poder naturalmente se beneficia dele – mesmo que em detrimento de outros.

Omega, eleito em 2018 como o melhor lutador do mundo pela Pro Wrestling Illustrated (uma espécie de FranceFootball da luta-livre), teria a chave do sucesso nas mãos pelos anos vindouros: o poder de decidir ocupar o centro do elenco por escolha própria. Pelo cargo que ocupa, poderia centralizar as histórias da companhia para si e seus companheiros, decidir vencer todos os seus combates e acumular os cinturões, dos mais prestigiados às novas criações. E criou-se expectativa disso: quem conhece sua qualidade técnica, clamou pra que ele se tornasse o pilar da divisão masculina e consolidasse sua reputação como gênio.

O que tem ocorrido é diferente: Kenny tem se colocado no banco do passageiro e dado espaço pra novos rostos brilharem. Nada disso segue o caminho da crítica pela falta de técnica, por longe. Sua versatilidade trabalha em favor de outros, passando por embates técnicos ou mesmo truculentos, como é hábito desde seus tempos no Japão. Mas é em ter noção de seu próprio tamanho que demonstra a principal faceta da liderança que se espera de um funcionário de alto escalão da segunda maior companhia de luta livre dos Estados Unidos, ainda no seu primeiro ano de fundação.

Apesar de ainda ter protagonismo (é ex-campeão de duplas e faz parte da narrativa mais intrincada no cenário americano atualmente), consegue dividi-lo com outros atletas em ascensão. Por afastar-se do card principal no primeiro momento, incentiva o desenvolvimento da cena masculina coesa e forte, dando espaço pra afirmação de Jon Moxley (cada vez mais distante dos seus lastimáveis últimos dias de Dean Ambrose), para a grata surpresa de Darby Allin (caindo no gosto do grande público consumidor casual de luta livre) e de Adam Page, com quem trava uma batalha silenciosa de implosão, que de certo culminará na propulsão ao estrelato do caubói.

Kenny tem lutado contra o que muito se critica na concorrência: egoísmo de poucos, ofuscando muitos talentos sedentos por plataformas maiores. É certo que em breve ele permeará o cenário do título mundial, mas aparentemente não às custas do espaço de outro companheiro de vestiário.


Chefe é chefe. Líder é líder.

Um comentário

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  1. Tendo a discordar veemente…Por mais que atitude de Omega parece altruísta e cheia de uma humildade, de certa forma, num olhar de negócios e realidade é completamente um erro. Kenny Omega sai do Japão como o maior nome fora da WWE e dentre de dois polos do Pro Wrestling Mundial : Japão e EUA. A AEW abre e Kenny Omega não só é um anseio para os fãs que desejam ver ele performar na América, como ser o principal nome fora da WWE a ser construído depois de tantos anos de pouca competição a empresa de Standford. Porém numa rota diferente de Cody, Kenny tem um booking completamente nerfado e que afeta em suas lutas, diminuem o Hype e deixam um dos maiores nomes no momento apenas como uma atração decepcionante. Sim, bonito ele abrir as portas para outros rostos, mas é algo que completamente era pra se fazer com ele sendo um dos pilares ; A virtude maior de um Chefe é ser um grande Líder e ser um Líder significa ser exemplo….Nenhum fã reclamaria de Omega ou Bucks ou como foi com Cody, no topo ; Porque era exatamente o que se esperava de formar até como uma coisa inteligente financeiramente e para o Booking em geral…Kenny Omega não precisava dar espaço para Jon Moxley ( Tem um nome e popularidade gigantescos e Mox ja tava se provando fora da WWE na NJPW), ele poderia ter elevado Allin e Page ( que para mim se pôs Over durante a Tag deles) em Feuds e Lutas sensacionais.

    Misawa um dos maiores Wrestlers da História, foi Chefe, Líder e Campeão Principal de sua empresa : a NOAH ! Elevou vários nomes que hoje regojizam dos ensinamentos, lideranças e lutas contra o falecido Misawa. É o lógico, Misawa era um dos maiores nomes no Japão e usou desse pra trazer atenção não só a sua empresa, mas como aos novos nomes. Omega errou, o gesto é bonito, mas um erro, no Pro Wrestling o timming tem de ser certeiro e tanto Omega quanto Bucks se preocuparam em não criarem uma discusssão sobre eles serem uma Kliq do que realmente capitalizar nos seus nomes ! Bucks e Omega deveriam ser mais do que os nomes principais e sendo pilares, carregando os titulos e criando histórias que elevassem outros nomes. Cody um desses que também comanda não temeu a usar do seu nome e valor para ser campeão do TNT e também ser um dos primeiros candidatos ao título da AEW contra Chris Jericho…Alias qual sacrifício é esse do Omega de não se bookar como o Champ e deixar para que Chris Jericho se tornasse o principal campeão da empresa ? A AEW se move com ideias estranhas, perdendo Hype em vários nomes e deixando nomes de tanto valor flutuarem para dar mais espaço a nomes que se beneficiariam muito mais se estivessem a alcança-los. Num ponto de visto de uma empresa nova, A AEW e Omega deveriam sim ter sido mais de cheios de si, não teria sido soberba e sim inteligência. A virtude do Líder é abrir caminho para os outros, mas para isso ele precisa estar na linha de frente, não em meio aos outros….

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