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Terceira Corda #5 – E o Oscar vai para… Men’s Royal Rumble 2020

Uma surpresa, uma justiça.

Em tempos da maior premiação do cinema mundial, a essência da sétima arte foi presenciada no Royal Rumble, com uma luta toda construída para um final perfeito, com 3 atos deslumbrantes e com um roteiro de causar inveja a Tarantino e companhia.

Bem-vindos à quinta edição do Terceira Corda, eu sou Junior Freitas e hoje vamos destrinchar a melhor luta do Royal Rumble em anos, uma luta que teve toda uma história construída do início ao fim, com todo o arco planejado para um final que além de emocionante, fez uma justiça a um talento que nunca havia recebido seu merecido destaque.

Geralmente um filme é construído dentro de 3 atos: a introdução, os grandes acontecimentos e o clímax final com suas resoluções. Bem, a luta masculina do Royal Rumble de 2020 foi construída dessa forma, só que com um detalhe; desta vez a WWE não pecou como de costume.

A ideia de ter Brock Lesnar como o primeiro a entrar no combate pode ter soado estranha, bizarra e como mais uma vez ele sendo favorecido pela empresa. Ao início de luta, Lesnar saiu eliminando todos pela frente, o ringue ficava vazio com a besta a esperar o sinal tocar e entrar mais uma vítima – entre elas John Morrison que era esperado como um cara a fazer uma grande performance, porém ficou apenas 9 segundos no evento.

WWE Photo
Foto: WWE.com

Kofi Kingston no entanto nos proporcionou um bom duelo contra o campeão; possuído de sua raiva e frustração de perder o cinturão em apenas 8 segundos, Kofi foi quem mais durou durante o período de domínio absoluto de Lesnar, entretanto, Brock estava fazendo jus à sua reputação na WWE e chegou a irritar grande parte dos fãs que já imaginava uma vitória dominante do campeão, porém tudo isso foi sim pra provar que Brock Lesnar é a figura mais dominante e brigando com The Fiend pela mais assustadora da empresa, todo o domínio e a limpa que Lesnar fazia no quadrilátero era apenas o primeiro ato desta grande história.

Depois de já ter irritado milhares de fãs ao redor do globo, o campeão da WWE e até então provável vencedor do Royal Rumble 2020 viu o sinal tocar para o 16° lutador adentrar o estádio, mal sabíamos que este seria o fio condutor daqui pra frente, estamos falando de Drew McIntyre. A história de Drew dentro da WWE chega a ser melancólica, foi um campeão Intercontinental que pouco medo passava e membro de um trio que só apanhava, na época de 3MB, ninguém nunca imaginou que Slater, Mahal ou McIntyre um dia teria o direito de fazer o evento principal da WrestleMania, eram carismáticos, porém uma piada pra todo o resto do plantel. McIntyre – que foi minha aposta na redação do site, inclusive – entrou com a estigma de “mais um potencial vencedor que vai ser injustiçado”, porém ele se impôs diante de Lesnar, mostrando que a fala dele no RAW que antecedeu o PPV estava em sua cabeça como uma grande motivação.

Com a ajuda de Ricochet, do qual aplicou golpe nos países baixos de Brock, que atordoado com a dor sofreu um Claymore Kick de Drew e foi eliminado. Foi um ecstasy, a torcida foi a loucura e a galera de casa também, mal sabíamos que aquele chute era o primeiro passo para a vitória do escocês.

A partir da eliminação de Lesnar, a luta perdeu a cara de tragédia e começou a tomar novos ares, já haviam 4 lutadores ao mesmo tempo no ringue, o que era um bom sinal, a contagem começa para o lutador número 21, a sirene toca e só escutamos a maravilhosa frase “You think you know me” e pra delírio, arrepio, pra geral gritar e vibrar, pra torcida ficar ensurdecedora, depois de quase 9 anos fora dos tablados, Edge faz seu retorno triunfal, com direito a fogos e tudo mais, não tinha o que dizer, apenas sentir, sentir o retorno de uma lenda, de um dos maiores de todos os tempos; mal notamos a entrada de Corbin, todos ainda estavam com o foco em Edge, não tinha como não vibrar.

WWE Photo
Foto: WWE.com

A luta prosseguiu como esperado, nenhuma surpresa nas entradas seguintes, porém lá dentro vimos Orton e Edge unindo forças e nos fazendo recordar de 2006 e a Rated-RKO, o título de duplas de ambos, aquele momento era o colírio nos olhos de quem é maníaco por Wrestling. A última entrada foi de Seth Rollins, acompanhado de Buddy Murphy e AOP foram responsáveis pelas eliminações de Aleister Black, Kevin Owens e Samoa Joe, respectivamente, após tudo isso, tínhamos 5 lutadores em busca do prêmio maior e aí vem o Gran Finale.

Com Rollins, Orton, Edge, Reigns e McIntyre ainda vivos em busca da chance pelo título mundial em abril, presenciamos Seth ao ser ameaçado buscando aliança com Roman e sofrendo do próprio veneno, aprendendo na pele que não existe essa de ficar migrando de lados sempre que convém, Rollins seria então eliminado por Drew, que somava mais uma eliminação chave dentro da luta. Assistimos Orton ameaçando aplicar um RKO em Edge e traindo o mesmo, porém o jogo virou e o Rated R Superstar eliminou Randy, mostrando que no Rumble é cada um por si; a expectativa crescia, havíamos Edge entre os 3 lutadores finais em busca da vitória, o quão surreal era aquilo, depois de 9 anos voltar e ficar entre os 3 finalistas, era deixar a gente sonhar, só que mais uma vez a WWE faz a torcida virar contra o Roman Reigns.

Após fazer vários eventos principais da WrestleMania ser o imbatível a ponto de vencer Undertaker na edição de número 33 causando um ódio imenso a ponto de ficar 10 minutos tentando pronunciar uma letra sequer no RAW pós o evento catastrófico em 2017, Roman protagonizava a eliminação de Edge, em quem botamos tanta fé, quem achávamos que nunca mais entraria para um combate. O Big Dog quebrou a expectativa de todos e ficou um a um com o Psicopata Escocês em um duelo muito bom de ambas as partes, entretanto após mais um Claymore Kick no combate, Drew lança Roman por cima da terceira corda e concretiza sua profecia dita 6 dias antes e a WWE mostra que quando quer ela acerta na mosca.

É o momento de um lutador que passou por baixas e mais baixas dentro da empresa, que saiu, retornou e achávamos que ainda continuaria como um injustiçado, as lágrimas nos olhos do escocês foram uma das mais sinceras já proporcionadas na história da empresa, é a prova de acreditar e não desistir de sua carreira, de não chegar e pedir demissão por causa de como o personagem está sendo desenvolvido, é mostrar que todo o esforço de estar 300 dias do ano na estrada, sacrificar o corpo e a mente um dia tem retorno. A vitória de Drew é o fechamento do arco de uma luta que teve uma história contada desde a entrada de Lesnar até a eliminação de Reigns, os 3 atos se encaixando e a WWE montando um roteiro digno de ser reconhecido pela Academia. Teremos Lesnar contra Drew na WrestleMania, principalmente por causa de Drew sendo o responsável pela eliminação do campeão da WWE. Começamos oficialmente a jornada para Tampa e começamos da melhor maneira possível.

WWE Photo
Foto: WWE.com

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